Dólar ganha em meio a tensões comerciais e sinais econômicos mistos
O dólar dos EUA segue levemente fortalecido hoje, principalmente devido ao enfraquecimento do iene japonês. A valorização do dólar ocorre em paralelo a uma estabilização do mercado acionário norte-americano após uma queda acentuada impulsionada por receios com investimentos relacionados à inteligência artificial. Ainda assim, o clima nos mercados segue cauteloso diante da possibilidade de obstáculos adicionais decorrentes de novos conflitos comerciais.
Os participantes do mercado acompanham atentamente os desdobramentos associados à política comercial dos EUA, inclusive as implicações das novas tarifas globais e as tensões comerciais em curso. A recente decisão da Suprema Corte dos EUA quanto às tarifas pode adicionar complicações nas negociações comerciais, tornando as perspectivas econômicas ainda mais incertas. Esses fatores geopolíticos podem pressionar o apetite por risco no curto prazo.
Em relação à política monetária, as declarações das autoridades do Federal Reserve seguem moldando as expectativas do mercado. Um pronunciamento recente indicou que a possobilidade de uma redução de 25 pontos-base na taxa de juros na próxima reunião, em meados de março, está em aberto. Caso os números do mercado de trabalho referentes a janeiro forem revisados para baixo ou demonstrarem fraqueza em fevereiro, aumentariam os argumentos a favor de uma flexibilização da política monetária nessa reunião. Entretanto, os mercados futuros ainda refletem baixa probabilidade de um corte na taxa de juros em março, sinalizando que o mercado segue cético quanto a mudanças imediatas na política monetária.
No calendário econômico para hoje, destacam-se o relatório de emprego privado da ADP referente às primeiras semanas de fevereiro e o índice de confiança do consumidor do Conference Board. A expectativa é de que o relatório da ADP revele uma criação moderada de vagas, após a leitura anterior sugerindo uma média de 10.250 novos empregos no setor privado por semana em janeiro. Já a confiança do consumidor deve mostrar recuperação de seu patamar mais baixo em mais de uma década, reflexo da piora nas percepções do mercado de trabalho em janeiro. Esses indicadores serão determinantes para analisar a saúde econômica dos EUA e definir as expectativas para futuras medidas de política monetária do Federal Reserve.

